O orçamento é uma ferramenta indispensável para as igrejas que querem se manter financeiramente saudáveis. Isso porque ele faz parte de um plano financeiro estratégico que compreende a previsão de receitas e despesas futuras. Depois de estruturado, esse plano permitirá alocar recursos de forma inteligente, identificando gastos excedentes e custos ineficientes. 

Acontece que, para muitas igrejas – especialmente as menores –, fazer orçamento é sinônimo de dor de cabeça. Isso porque, nas congregações com poucos membros, é comum que as finanças sejam supervisionadas por um voluntário que se divide entre outras  funções e compromissos. 

Não vamos esconder a verdade: avaliar dados financeiros anteriores, estabelecer objetivos e metas bem definidas, fazer contas para distribuir receitas e revisar números periodicamente é mesmo uma tarefa desafiadora, mas isso não significa que seja impossível. Pensando em te ajudar, listamos, nas próximas linhas, as principais informações que você precisa saber para criar um orçamento para sua igreja.

Por que é importante criar um orçamento para igreja?

1. O orçamento permite identificar e corrigir desvios rapidamente

O orçamento é a tradução do planejamento estratégico financeiro em números, e, como sabemos, todo planejamento passa por mudanças e reajustes. O problema, portanto, não está nos desvios em si, mas sim na falha na identificação desses problemas. Com o acompanhamento frequente do orçamento, por outro lado, é possível detectar variações e possíveis excedentes capazes de onerar o fluxo de caixa.

2. O orçamento fornece maior embasamento para tomada de decisões

As igrejas – das maiores às menores – têm uma série de necessidades. Cada uma delas exige esforços, atenções e investimentos financeiros diferentes. Na ausência de um orçamento bem definido, como a igreja poderá avaliar o quanto pode gastar em cada departamento e projeto? 

Se o próximo orçamento for  reduzido, por exemplo, a igreja precisará focar esforços em encontrar soluções alternativas e criativas para pôr o projeto em prática sem comprometer o planejamento financeiro. Por outro lado, se o orçamento receber aportes e a receita aumentar, os investimentos poderão ser mais robustos, e as oportunidades de ação serão maiores. 

3. O orçamento permite identificar gastos desnecessários ou dispensáveis

A administração das finanças deve sempre ser feita com o máximo de inteligência, eficiência e proveito possível. O dinheiro com o qual as igrejas lidam pertence ao Senhor e, por isso, não pode haver espaço para desperdícios, despesas desnecessárias e gastos excessivos que não ajudam a promover o Reino de Deus.

A partir de um orçamento, gestores, pastores e tesoureiros identificam e listam detalhadamente cada despesa e custo, podendo eliminar tudo aquilo que é desnecessário ou dispensável. Desta forma, recursos antes mal utilizados podem ser aplicados em departamentos, demandas e projetos prioritários. 

4. O orçamento ajuda a proteger ministérios

Os desafios que você enfrenta nas finanças de casa são parecidos com os desafios que uma igreja enfrenta, só que em escala maior. Se você almoçar fora com muita frequência, por exemplo, logo vai deixar de ter dinheiro para as coisas de que realmente precisa. Algo muito semelhante pode acontecer com os ministérios das igrejas.

Se não fizer um orçamento forte e detalhado, a igreja corre o risco de ver departamentos importantes, porém menores, desabastecidos porque muito foi gasto com ministérios ou áreas de maior visibilidade. Por exemplo: podem faltar recursos para a compra de materiais de papelaria para o ministério infantil se boa parte do dinheiro arrecadado no mês foi usado para comprar um novo telão e novos refletores para o palco. Portanto, ter um orçamento definido para cada área ajuda a alocar recursos com inteligência, sem que nenhum departamento sofra. 

Tipos de orçamento

Existe uma série de orçamentos à escolha da sua igreja. Separamos abaixo os principais.

1. Orçamento estático

O orçamento estático, como o próprio nome sugere, é aquele que não sofre alterações ao longo do ano, independente dos resultados. Isso significa que todas as peças orçamentárias (como receitas, despesas, custos e investimentos) são elaboradas com base em volumes de arrecadação pré-determinados.

Por exemplo: se o orçamento estipula um gasto de R$ 2 mil com eventos por ano, esse valor não pode ser alterado mesmo que a igreja arrecade mais do que o previsto em dízimos e ofertas e tenha caixa para fazer conferências, retiros, entre outros.

2. Orçamento flexível

Diferente do orçamento estático, o orçamento flexível admite, de acordo com os resultados obtidos (no caso das igrejas, das arrecadações), uma variação dos recursos disponibilizados para custos, despesas e investimentos. Justamente por ser flexível, esse tipo de orçamento exige acompanhamento próximo e constante. 

3. Orçamento contínuo

O orçamento contínuo é uma metodologia que costuma ser usada para cobrir orçamentos por um período de 12 meses. Nesta modalidade, a igreja revisa o orçamento a cada término de mês e adiciona um novo mês no período que está sendo orçado. Isso significa, por exemplo, que o orçamento de março de 2021 será revisado no fim de fevereiro e deverá fazer previsões até março de 2022. O método, que exige alto comprometimento da equipe de finanças, é indicado para igrejas que querem se planejar a longo prazo. 

4. Orçamento ajustado

Bastante similar ao orçamento contínuo, o orçamento ajustado permite que as igrejas se adaptem às mudanças. Neste método, o orçamento é estipulado para cada mês e revisado periodicamente (mensalmente, bimestralmente, trimestralmente etc), sempre considerando o planejado, o realizado e o revisado. 

Imagine que determinada igreja tem R$12 mil para gastar com comunicação (impressão de peças gráficas, compra de equipamentos etc), ou seja, R$1.000 por mês (o planejado). Ao revisar o orçamento no fim de março, entretanto, a tesouraria constata que já foram gastos R$4.500 em apenas três meses (o realizado). Sendo assim, restam R$ 7.500 para os nove meses restantes, ou R$ 833,30 por mês (o revisado).

5. Orçamento base zero (OBZ)

Como o próprio nome indica, o orçamento base zero é elaborado literalmente do zero, ou seja, sem levar em conta o histórico de custos, despesas e receitas. Isso significa que os orçamentos deste tipo são baseados nos custos e prováveis despesas de todos os projetos, departamentos e atividades futuras. O OBZ, portanto, é indicado para igrejas recém-formadas ou que estão reestruturando as finanças. 

6. Orçamento base histórico ou incremental 

Oposto ao base zero, o orçamento base histórico (OBH) se baseia nos números do exercício anterior para criar projeções futuras. Este modelo permite maior agilidade na construção de orçamentos. 

Criando um orçamento para igreja

1. Escolha o tipo de orçamento mais adequado

O primeiro passo para criar um orçamento para igreja é definir o modelo de orçamento mais adequado à realidade da congregação. É importante que essa decisão seja tomada com a participação de todos da equipe de finanças.  

2. Avalie dados de anos anteriores

Avalie dados de anos anteriores para fazer um orçamento para igrejas

Exceto se tiver optado pelo orçamento base zero, é importante que você olhe para os números do ano anterior ou dos últimos dois anos para identificar padrões de receitas e despesas. Entre os pontos que merecem ser avaliados estão:

  • Quanto a igreja está gastando com pessoal, instalações e/ou equipamentos e administração? Se essas áreas representam mais de 45%, 30% e 10% dos gastos, respectivamente, você provavelmente não tem muito dinheiro para gastar em outras áreas.
  • A igreja costuma pagar as contas em dia?
  • Quantos por cento da receita da igreja cada departamento consumiu?   
  • A igreja tem reservas financeiras às quais pode recorrer, se necessário?
  • Qual o volume de doações da igreja? Uma plataforma de gestão financeira integrada aos dispositivos de entrada (aplicativo, site e máquinas de cartão, por exemplo) pode te ajudar a responder essa pergunta. 
  • Quantas dessas doações são recorrentes, ou seja, doações com as quais a igreja pode contar para equilibrar as flutuações sazonais na frequência das demais ofertas? Um software de gestão também ajudará a responder essa pergunta. 
  • Existem flutuações significativas na frequência aos cultos e nas ofertas? Se sim, quais são os meses de pico e de baixa?

3. Faça cortes no orçamento (se necessário)

Após avaliar receitas, custos e despesas, a igreja pode identificar se há necessidade de cortes no orçamento. Para isso, será preciso fazer algumas perguntas difíceis, especialmente em relação a ministérios. Daí a importância de estabelecer objetivos antes de criar um orçamento: se tiver clareza sobre o seu propósito e as metas que precisa atingir, a igreja saberá quais são as prioridades e terá menos dificuldade em cortar custos que a afastam do alvo.

Antes de cortar gastos, faça as seguintes perguntas: 

  • Existem ministérios na igreja que não são eficazes ou essenciais (no curto prazo, pelo menos)?
  • Existem despesas que você pode cortar sem que haja diferença em termos de resultado? 

4. Estabeleça objetivos

Se a igreja não souber onde quer chegar, nenhum planejamento orçamentário, por mais bem feito que seja, a ajudará a ter sucesso. Justamente por isso, é fundamental estabelecer objetivos anuais, que devem estar conectados à missão, à visão e aos valores da igreja. Recomendamos que, ao definir metas, você opte pelo método SMART, no qual cada letra representa da sigla uma característica que a meta deve ter.

5. Escolha os responsáveis pela definição e acompanhamento do orçamento

Por último, mas não menos importante, escolha pessoas de confiança para definir e revisar o orçamento junto à liderança da igreja. Elas devem ser profissionais ou voluntários com conhecimento e experiência em projeção de orçamentos e alinhados à visão espiritual da congregação. É importante que os escolhidos trabalhem em harmonia com pastores e líderes, mas que também tenham expertise suficiente para operar de forma relativamente independente.

O que incluir no orçamento para igrejas

É fundamental que o orçamento da igreja inclua as categorias cadastradas no plano de contas, documento que identifica as contas da organização por meio de códigos e classificações para todos os registros de entradas e saídas. Lembre-se de inserir todos os centros de custo e recebimento. Abaixo, confira alguns exemplos do que pode ser incluso. 

1. Receita

Todas as receitas da igreja devem ser inseridas nesta área. É comum que as igrejas estabeleçam vários itens de linha na categoria “receita” para incluir as diferentes fontes de renda da congregação. Elas podem ser eclesiásticas (dízimos, ofertas para sustento de missionários, doações para reforma do templo etc) e operacionais (rendimentos de aplicações financeiras, por exemplo). 

2. Pessoal

Inclua os salários – inclusive décimo terceiro – e benefícios de todos os funcionários da igreja nesta categoria. Ainda que não haja funcionários, é importante inserir o salário do pastor. 

3. Equipamentos/Instalações

Esta categoria cobre compra de produtos (cadeiras, papel higiênico, copos descartáveis, ar condicionado, entre outros) e equipamentos (data show, mesa de som, computadores, entre outros), prestação de serviços, pagamento de seguros e outros trabalhos necessários à manutenção dos bens e das instalações da igreja. Embora muitas vezes negligenciada, essa área do orçamento é muito importante e, se não receber a devida atenção, pode trazer problemas e imprevistos a longo prazo. 

4. Ministérios 

Inclua todos os ministérios e departamentos da igreja (escola bíblica, assistência social, secretaria, comunicação, entre outros) e estipule a quantia que cada um deles pode gastar. 

5. Evangelismo e atração de visitantes

O investimento em evangelismo e ações de atração de visitantes (eventos, por exemplo) deve ocorrer conforme a disponibilidade financeira da igreja. Não faz muito sentido gastar uma grande parte do orçamento em atividades evangelísticas se as finanças não estiverem em boas condições ou se as instalações precisarem de reparo, por exemplo. Na falta de dinheiro para evangelismo, estimule a equipe a pensar em soluções criativas e de baixo custo, como cultos na rua, evangelismo no sinal e publicação de testemunhos nas redes sociais. 

6. Reserva de emergência

Recomenda-se que as igrejas separem, se possível, uma fatia da arrecadação mensal para construir uma reserva de emergência. É muito importante ter um fundo ao qual recorrer em caso de imprevistos e emergências. Discuta essa questão com o pastor e a equipe da tesouraria e, juntos, decidam qual percentual da receita será destinado para a reserva. 

7. Expansão

Conforme a igreja cresce, é preciso fazer um orçamento para expansão. Isso pode envolver desde criação de anexos e novas salas até a construção de um novo templo, se a congregação se expandir a esse ponto. Converse com a membresia sobre esses planos e, se eles forem apoiados pela maior parte dos membros, inclua-os no orçamento. 

Finalizei o orçamento da minha igreja. E agora?

Revise o orçamento para igrejas periodicamente

Engana-se quem pensa que o trabalho acaba quando o orçamento está pronto. Após colocar os números no papel, é preciso monitorar o orçamento para identificar possíveis desvios e fazer ajustes quando necessário. Por isso, estabeleça, na agenda da igreja, uma data fixa para revisão do orçamento. As revisões podem ser mensais, bimestrais, trimestrais, semestrais ou anuais, desde que a periodicidade determinada seja cumprida. 


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Este post foi feito com base em informações de Nubank, Xerpa e Donor Box.


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